quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Vigilância da PAZ


Com uma semana de atraso, tive oportunidade de visionar, no Youtube, as cerimónias da assinatura do que a imprensa moçambicana chama de Acordo de Paz II.

No momento de troca dos documentos assinados, fiquei momentaneamente interrogativo: vai haver abraço ou simplesmente o protocolar aperto de mão?

Parece-me que Dlhakama tomou a iniciativa do gesto do abraço! E Guebuza correspondeu sem demora. Espontâneo! Mas eu, interiormente, continuava, no meio de muita emoção, a ser invadido pela interrogação: serão mesmo abraços de lealdade, de efectiva e definitiva reconciliação? Todos desejamos que assim seja.

Escutei com íntima e comovida atenção os discursos dos 2 líderes protagonistas do acto. Apreciei a firmeza e a objectividade. As palavras certas, estiveram ali. As farpas mutuamente disparadas - inevitáveis nestas circunstâncias? - foram suaves. Sublinho a frae de Guebuza "temos e devemos confiar na nossa capacidader endógena para também realizar o nosso sonho colectivo de prosperidade e bem-estar". 

Penso que esta capacidade sempre existiu. Mas a história recente mostra que a capacidade de não lhe ser fiel também é real. Por isso ao mais de um milhão de mortes da guerra civil dos 16 anos, somámos, no ano passado, um desconhecido número de mortes. São, por isso, muito oportunas os seus apelos a que. doravante,  todos se conformem escrupulosamente com os ditames legais/constitucionais. Parece que está tão ciente, como eu, da precaridade da natureza humana e, expressamente, apela à "a atitude vigilante e de elevada consciência de cidadania" para que nunca mais se volte atrás.


Este momento, tempo de campanha eleitoral, é particularmebte importante para o exercício da cidadania a que o Presiente da República apela. Porém, hoje, dia 11 de Setembro (de má memória internacional), os jornais já noticiaram atropelos à lei e à convivência democrática na campanha eleitoral. Tenho para comigo que aos membros da Frelimo vai custar muito a aprenderem a trabalhar politicamente em pé de igualdade! São 40 anos de acumulação do vício da superioridade institucional, regimental.. Se a conversão pessoal não é fácil, a colectiva é dificílima, sobretudo quando o que está em causa são as benesses decorrentes do exercício do poder! Mas "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" e "a esperança nunca morre!". Assim o esperamos.