quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Auto-construção assistida – solução para o problema habitacional dos pobres?


No último dia da minha estadia de cerca de 20 dias, em Setembro/Outubro de 2013 escutei, na Rádio Cabo-Verde, um excelente debate entre uma deputada do PAICV e outro do MDP, partido que detém a presidência da Câmara Municipal de S. Miguel. É o despique do costume entre forças políticas. E como o governo central é do PAICV, não será difícil imaginar as tricas entre 2 forças adversárias referenciadas ao mesmo território municipal como é, em Moçambique, o caso da Beira e Quelimane. Por um lado, o poder autárquico local de uma côr política, por outro, o governo central que, obviamente, tem a faca e o quijo na mão para condicionar o desempenho municipal.

Mas uma ideia acaba de ser aventada que me parece dever ser noticiada: para resolver o problema habitacional o município parece querer apostar na auto-construção assistida.

Quem conhece a degradação dos bairros suburbanos de Nampula não pode deixar de difundir esta excelente ideia. Parece-me que seria um acertado caminho para a ocupação das novas áreas habitacionais tais como Muhala-expansão, Marrere-expansão e outros.

Parece-me que seria, também, uma boa opção para tentar resolver o complexíssimo problema da urbanização dos intrincados e inexistentes arruamentos onde, mal se pode circular a pé, quanto mais de carro.

Não seria uma boa solução a ser apregoada pelos candidatos às eleições que se avizinham?
Imaginação é do que se precisa.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

jornalista Falume Chabane


O mesmo tribunal que em 2012 condenou o jornalista Falume Chabane por liderar uma campanha de denúncia a conduta discriminatória da escola imposta a menina Alsing Binda BIPS condenada pelo Tribunal de Sofala
Com tal sentença, também o tribunal limpa um pouco a sua face conspourcada, em 2012, por tão infame sentença. Não me pareceria descabida a publicitação dos juízes que proferiram sentenças tão contraditórias a respeito do mesmo caso.

E continuo a transcrever:

É uma decisão do mesmo tribunal que no ano passado condenou o jornalista Falume Chabane alegando calúnia e difamação a BIPS. Na altura dos factos Falume Chabane era editor
do Jornal O Autarca, tendo usado a sua influência mediática para promover uma campanha de repúdio público a conduta da escola, que acabou forçada
a reintegrar a menina no ano lectivo 2012.
O jornalista Falume Chabane foi condenado a 16 meses de pena suspensa e a pagar 600 mil meticais a escola e ao advogado da escola, uma sentença imediatamente recorrida.

Para ler o jornal Autarca, prima aqui

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A urgência da Paz em Moçambique

Mindelo, Cabo Verde, 26 de Setembro

Como se pode ver no Blog "PEREGRINAR NO MUNDO, PARTILHAR A VIDA", estando neste arquipélago onde reencontro a memória do tão inesquecível como Samora, Amilcar Cabral, vivo sempre, com alguma emoção, a data do início da luta armada de libertação nacional de Moçambique, infelizmente, também para o povo português, mais longa do que se desejaria.

foto de GREG MARINOVICH 
Como ainda tenho o relógio biológico ao ritmo de Moçambique, de novo, hoje, acordei cedíssimo (4:30 h locais – 7:30 de Moçambique). Assim, via RDPAfrica, vou acompanhando a actualidade moçambicana. O jornalista Arão Cuambe (creio que entendi bem apesar da sonolência matutina) entrevistou, alternadamente, o porta-voz da Frelimo (cujo nome não entendi bem) e o engº Lutero Simango (MDM), sobre as turbulências e ataques que, infelizmente, continuam a acontecer entre militantes dos seus respectivos partidos, semeando, ainda mais inquietação e insegurança na vida da nação.

Lamento ter de opinar quanto a expressão de um (MDM), contrastou, em coerência e objectividade, com a retórica típica de cassete partidária do outro (Frelimo). Não é politicamente decente, à falta de mais capacidade argumentativa, querer “parar o vento com a peneira”, teimando em reduzir o MDM a simples emanação da Renamo. É querer que todos os outros cidadãos somos estúpidos. E, isso, eu não o permito. 

Ao longo do dia, surgiu, na mesma RDPA, a notícia de mais uma ronda “extraordinária” de conversações entre a delegação do governo e da renamo. Infelizmente, nada de novo. Pergunto-me: mas essa gente vai para aqueles encontros de boa-fé ou simplesmente para fazer de conta? Porque se arrastam em trazer o país em suspenso por tempos infindos? Quais são, realmente, os desígnios de uma e outra parte? É tempo de não fazer do diálogo uma panaceia.

Já passou tempo de mais para que Guebuza e Dlhakhama não se decidam a avançar, com a determinação que todos esperamos, a bem de uma paz genuína. Mais curto é o caminho entre Sofala e Maputo do que Nova York ou Paris. O que é que realmente os impede? Não será tempo de as outras forças vivas da Nação serem mais exigentes e intervenientes, obrigando-os, em nome do povo, ao tão almejado encontro?

Não seria a hora de as Igrejas mais significativas – Igreja Católica, Igreja Anglicana, Igreja de Cristo em Moçambique, Igreja Metodista, e outras que se reconheçam no âmbito do diálogo ecuménico – entrarem decida e concertadamente, em nome da Profecia de que são portadoras em nome de Jesus de Nazaré, numa intervenção pública das tão variadas formas que nos caracterizam, em articulação com a multiplicidade dos seus fieis nas suas respectivas comunidades?

Quem, com mais credibilidade do que nós, poderia vir para a rua exigir o Diálogo da Paz, assente na corrente orante que nos faz fiés, credíveis e transparentes? O tempo urge!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Do Mundo e da Igreja

Intervenção cívica e participação social

Esperamos, neste espaço, poder ir partilhando os nossos pontos de vista sobre os acontecimentos da vida social e as pontes que eles implicam com a vida das Igrejas, sobretudo em Moçambique.
Zé Luzia