terça-feira, 14 de junho de 2016

Do medo à Paz efectiva



O texto do analista Noé Nhantumbo, que, com a devida vénia, copio do CanalMoz 1727, de hoje, 14 de Junho, e que publico em página anexa, deixou-me deslumbrado pela sabedoria revelada e as sugestões de nom comportamento propostas nesta hora delicada e melindrosa da vida deste Moçambique.

Com o início de funções da chamada Comissão Mista em vista do Encontro a alto nível do PR e do Líder da Renamo, esperava eu notícias mais animadoras que dissipassem as dúvidas da viabilidade real do encontro ansiosamente esperado por todo o Povo Moçambicano.

Mas começo a ficar com medo (não como o medo generalizado que já se sente na sociedade, tanto a popular como a pensante e crítica) que se repitam as tristes rondas do CCJC, mais de 100, que foram sistematicamente emperrando em birras de quem não queria, aparentemente, o verdadeiro diálogo, mas fingir que dialogava para continuar a encher a boca apenas com a dita palavra…

Sempre defendi que em Moçambique há gente com sabedoria mais que suficiente para ajudarem num genuíno DIÁLOGO NACIONAL, seriamente orientado para as soluções nacionais.

O texto do Noé Nhantumbo, como os textos dos Bispos católicos mais recentes são a prova disso mesmo. Só me fico a perguntar: por que se não aceitam estes facilitadores patriotas na efectivação do dito desejado diálogo para uma Paz sadia?

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Rei vai Nu! Vamos vesti-lo!



Eleições antecipadas? Por que não?

Neste dias, até tenho tido pena do governo de Moçambique! Nunca imaginei que alguma vez pudesse ser submetido a tamanha humilhação, não só na arena nacional mas também na internacional. PR e PM, em simultâneo, tem de peregrinar aos santuários dos apoios internacionais. 

Só a imoral China ficou de fora, pois, como vimos nestes dias, perante o castigo (a palavra não é minha) dos ocidentais, logo apareceu a fingir-se de “bom samaritano” oferecendo uma migalha de 16 milhões para socorrer o parceiro moçambicano. Mas logo alguém me comentou: “ainda falta muito para devolverem os milhões que já roubaram só em madeira, para não falar no resto”. 

O governo tem-se visto obrigado a reconhecer as misérias da gestão da Frelimo nos anos de Guebuza. O País está mergulhado em dívidas insustentáveis e já afogado numa derrapagem económica que na guerra já evidente tem a sua causa principal.

Como me custou ver nos écrans da TV o humilde e aparente tranquilo ministro Adriano Maleiane implicitamente denunciando o seu antecessor Manuel Chang ao declarar: “o que aconteceu não pode voltar a acontecer!
 Como me custou escutar o ex-Presidente Chissano, declarar que “as organizações internacionais devem dar ao governo de Moçambique mais uma oportunidade”. Claro que têm de dar, claro que darão, porque Moçambique é rico.

Mas quando aparece o grande líder da desgraça nacional? Permanece tão calado! Quanto tempo vai precisar a PGR para o acusar e trazer à ribalta pública?  Sim, porque o senso comum e popular assim dizia nos dias do assassinato de Cistac, em Março de 2015: “o culpado é só um, é aquele e mais nenhum”. “Mas aquele quem?”, perguntava-se. Resposta pronta e imediata: “Esse que você está a pensar”. Quem pode dizer que neste pouco enigmático linguajar não se exprime um maioritário consenso nacional? Mas porquê falar com aparente enigma e não com claros e declarados nomes? É claro, por medo. 

O medo e a humilhação dominam, hoje, este país. Medo, nos pequeninos populares. Medo também nos grandes, e mesmo nos mais veteranos. Quem é que não ouviu já o sururu subterrâneo, que corre de boca em boca, do Rovuma ao Maputo, do braço partido que ostentava uma pistola apontada à cabeça dum chefe?

Nenhuma cosmética consegue esconder tal verdade. Nem a mediatizada reunião da ACLLN, imoralmente ocupando o espaço mediático da TVM durante horas seguidas neste dia 6 de Maio. Nem sequer a também mediática visita presidencial do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, especialista em comunicação, por muitas palavras de esperança que tenha já pronunciado e suscitado do próprio Presidente Nyusi.

 Nada nem ninguém conseguirá fazer esquecer as horrorosas imagens dos corpos humanos, abandonados ao relento, que até a governamental TVM se viu obrigada a exibir. Diante de tão macabros estendais humanos, quem pode esquecer os massacres colonialistas de Mueda, Wiriamu, Mukumbura ou Inhaminga

É verdade, como se cantava na aurora da Independência desta pérola do Índico, “Não vamos esquecer o tempo que passou”, porque só a memória alimentada pela verdade histórica permite viver com realismo o presente e preparar, consistentemente, o futuro para filhos e netos.

“Sim à Paz”, continuamos todos a gritar. Uns com mais sinceridade do que outros. Mas, repito, a Paz que o Povo quer, não a paz das armas da Frelimo ou da Renamo!

Os recentes discursos dos veteranos Helder Martins e Rui Baltazar, puseram o dedo na ferida. Aí estão dois homens que provam que, se o Governo quiser, pode não precisar de mediadores internacionais. Não falta, em Moçambique, sabedoria encarnada que pode agilizar um Novo Acordo de Paz. Assim ela seja desejada sem pre-condições, seja da parte da Renamo, seja da parte da Frelimo.

Eleições antecipadas? Governo de Conciliação? Porque não?
O Presidente Nyusi, num discurso no contexto da visita do Presidente português também pôs o dedo na ferida ao dizer que a raiz da guerra está no não reconhecimento das eleições de 2014. Tem razão: todos sabemos que essa é a causa que está a arrastar, de novo, o país, para a desgraça. Será que o Presidente Nyusi está já a insinuar que devemos ter eleições antecipadas? Não seria mesmo o melhor caminho?

Não sei quanto dinheiro custaria um novo processo eleitoral. Certamente menos de não sei quantos tanques de guerra que há dias se exibiram na capital com medo do Povo. Mas talvez esse seja o melhor caminho de saneamento radical, desde que se assegure que ele seja, efectivamente, livre, justo e transparente. Creio que a comunidade internacional, com tantos interesses em Moçambique, poderia implicar-se numa nova consulta assegurando a sua gestão por entidades absolutamente independentes do Partido Frelimo ou de qualquer outro. Não seria a solução para uma paz imediata?

terça-feira, 22 de março de 2016

Entre a guerra e a Paz Milho do Norte regressa ao Norte



Entre a guerra e a Paz
Milho do Norte regressa ao Norte


Fui, no dia 15 de Março, surpreendido por uma notícia curiosa que passo a relatar.

2 ou 3 camiões-cavalos (Freightline??) que se dirigiam para o Sul, carregados de milho, terão sido interceptados pelos ditos Homens Armados da Renamo a sul do Inchope (o popular que, no conhecido mercado de Nampula Waresta, me reconfirmou a notícia, disse, claramente, Muxungwe) e, sem qualquer moléstia ou maus-tratos, obrigados a inverter a marcha, regressando a Nampula. “Porque esse milho é nosso”, teriam dito os ditos Renamos.

Os comerciantes do milho tê-lo-ão descarregado uma vez chegados a Nampula e, por isso, quando no dia seguinte, andei pelo Waresta para as minhas compras, já não vi a operação do descarregamento.
Porém, sem surpresa, constatei a satisfação de alguns populares por o “seu” milho ter sido obrigado a regressar à origem, onde dizem estar quase inacessível a compra de um saco de farinha – 1500 Mts!

Um padre macua, disse-me, enquanto isto escrevia, que o dito milho rapidamente foi vendido (no Waresta e na rotunda do Aeroporto) e que uma lata que normalmente já custa 500 Mts, foi naquele dia, vendida a 250 Mts! 

Quando estamos todos suspensos entre a Paz e a guerra, não devemos deixar de dar muita atenção a estes fenómenos, multifacetados.
1º Foi um "cinzentinho" que me deu a notícia;
2º Foi um popular que ma reconfirmou;
3º Tanto um como o outro, manifestavam uma satisfação que nem a RM nem a TVM ou o Notícias publicitaram, apesar da evidente importância política do fenómeno.

Quando, dias depois, cheguei a Angoche, já a notícia corria de boca em boca, mesmo entre os membros básicos do Partido Frelimo.

Sem dúvida que o DIÁLOGO PARA A PAZ, em boa hora reproposto pelo Presidente Nyusi, tem que descer a este realismo. Difundo este caso porque ele é, evidentemente, paradigmático para quem queira levar a sério o problema da Paz neste país. Não são as orquestradas reportagens da RM e da TVM -  que mais me fazem lembrar as do tempo do colonial-fascismo - que podem servir a verdade indispensável que o Presidente não pode ignorar. Estão ali, em homens armados e desarmados, os genuínos sentimentos de grande parte da população moçambicana. Porventura da maioria. Não adianta nada querer enterrar a cabeça na areia como o avestruz!

É verdade que TODO O POVO MOÇAMBICANO  quer a Paz. Mas que coisa mais evidente, linear e indiscutível? Mas uma Paz que não seja apenas a “paz de alguns”, à maneira de alguns, como faziam os romanos. A Paz do Povo moçambicano nunca poderá ser apenas a paz dos partidos em confronto.

É, por isso, incontornável a necessidade de “ajudas” sérias e competentes no Diálogo para a Paz.
Arcebispo da Beira - Claudio Zuanna
Já assim foi no AGP-1992 (Roma). 

Não se pode ter como pessoa de Boa-Fé quem isto recuse. Em vez de andarem a tratar de rotular e amesquinhar os Bispos Católicos como fez o jornalista Marcelo Mosse que eu julgava digno membro do Centro de Integridade Pública, ao Arcebispo Cláudio, da Beira, aproveitem o muito que eles podem ajudar. 

Não tenho dúvida nenhuma em afirmar que a maioria, senão a totalidade dos padres católicos deste país comunga destes sentimentos. E os crentes estão com eles! Não aproveitar esta força ética e moral indiscutível, é desperdiçar energias da Paz.